segunda-feira, 11 de maio de 2009

... and tell you how much I love...



E eu quero sentar em um banco na praia e dormir no seu colo. E te sentir entrando nas cobertas todas as manhãs com beijinhos no rosto quando nem desperta estou ainda. E rir das suas piadas às vezes sem graças só para te fazer feliz, porque sei que o riso é contagioso. E roubar suas cobertas enquanto durmo só para que reclame no dia seguinte; e até roncar às vezes. E pensar em surpresas quando está longe de mim para esquecer de fazê-las quando finalmente está perto. E rir por dentro dos seus ciúmes, mesmo quando eles me matam de medo. E brigar pelos maus-hábitos persistentes do meu passado. E estranhar como duas pessoas tão diferentes como nós podem se entender tanto, como um completa o outro. E sorrir toda vez que falo sobre você, e ter todos repararem nisso. E dar voltas pelo condomínio quando estou cansada porque você não quer ficar em casa. E perguntar como foi o seu dia. E não entender a sua matemática e a sua física, as quais você nunca me ensina. E enrolar para que não vá embora para ficar triste no momento em que fecho a porta. E espremer as suas espinhas escondido. E cheirar a sua pele para nunca mais esquecer como é. E passar meu dedo pelas suas costas contando as suas pintinhas. E ter um reclamando da musica do outro. E conhecer todas as suas mil facetas. E aprender a amar e a respeitar cada uma delas. E roubar sua comida quando não está vendo. E saber que você me faz uma pessoa melhor. E sentir a sua pele na minha. E te abraçar quando tenho medo. E tentar achar o presente perfeito para você. E nunca achar palavras suficientes. E relembrar cada momento juntos. E saber dos seus segredos, medos e anseios e entender como te fazem uma pessoa mais forte. E segurar a sua mão toda vez que andamos juntos. E te desejar toda vez que me toca. E escolher uma musica que você não gosta para nos representar. E quase dormir com as suas massagens. E te dizer bom dia todo dia mesmo que à distância. E não lembrar de dizer todo dia o quão lindo você é, mas nunca esquecer de repetir o quanto eu te amo. E sentir saudades mesmo quando está comigo. E adorar amar você.
E eu quero fazer amor com você pelo resto da minha vida.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

let the seasons begin,


No circo de palhaço, malabarista e bailarina nasceu uma flor. Pequena, miudinha, de um tamanho quase tímido. Cresceu de uma semente trazida pelo vento, não se sabe de onde ou o que, era tão curiosa. Tinha apenas um botão em sua ponta de uma cor indefinida, alguns diziam branco outros vermelho, até azul se ouviu. “Depende da hora, é mágica.”, falou o senhor de cabelos brancos dito como dono do local. “E o que se faz com isso? Botão de flor colorido maluco serve pra nada não. Nem desabrochar ela consegue.” Reclamou o leão, saudoso da atenção perdida.
Passou dia, noite, sol e chuva, até a estação mudou. O outono soprou, o inverno gelou até chegar a prima primavera. Da flor tomou conhecimento, mas nesta nem gastou muito tempo, era velha amiga. “Espere e verás” afirmou ao dono, que preocupado com a florzinha colocou-a em uma redoma de vidro. “Espero o que? Verei o que? Só não me diga que a levará embora, irei a falência, Prima.”, ela deu uma pequena gargalhada e o olhou com carinho. “Acalme-se, esta não obedece a mim.” “Então a quem o faz?” “Não sei.”.
E assim tudo continuou como era, a flor como uma atração estática e todos seus companheiros móveis e habilidosos, havia quem sentisse inveja. Tanto tempo passou que mudanças chegaram por lá; o dono tornou-se mais novo e trocou a cor dos cabelos, nem se dizia ser a mesma pessoa, e o leão perdeu a juba e até cresceu listras pretas.
Um dia, dia comum como todos os outros, ela desabrochou. Lançou um perfume fétido, podre, sua cor tornou-se negra como a morte, ou como a fome para alguns. Moscas se banhavam felizes no néctar sempre fluído de suas pétalas, ninguém atrevia se aproximar. Não havia fragrância francesa ou italiana que escondesse seu cheiro, impregnou na lona das paredes e na madeira da arquibancada. Secou todo o chão a sua volta, matou sem dó nem piedade tudo vivo preso a ele, sem chance de fuga, ainda por cima era covarde. Adquiriu uma voz feminina, aveludada, como quem seduz.
“Oi? Oi?” Chamava aos que observavam de longe, com as mãos sobre o nariz, e quando percebia a falta de sucesso em uma resposta esperava até o próximo passante. Passou dois dias assim, no final só indagava um “ooo...” e nem terminava, conhecia a surdez da ignorância. Desavisado e velho, perdido em sua quase cegueira, o leão chegou-se por perto, pisando no chão gosmento de néctar podre misturado com a terra áspera, “Que fedor aqui!” “Leão? Achei que tinha perdido a juba e criado listas....” “Não, aquele é o tigre. Meu substituto. Quem é?” olhou para os lados procurando, reflexos do passado. “Sou eu, a flor.” “Eca! É você que fede tanto assim? Sempre disse que era erva daninha....” “Sim, esse cheiro é meu. Cheiro a humanidade, e não sou erva daninha.” “Oi?!”
“Tenho o cheiro que me dão, não sou flor, sou a necessidade. Nasço de tempos em tempos, por aí, não tenho hora ou lugar certo. Como botão represento tudo o que o homem pode e precisa, sou viva, brilho. Mudo, alegro, viro atração. Sempre sou feliz como botão, consigo analisar bem caracteres. Até o dia que desabrocho, mostro a realidade, o odor vem da essência humana, modificada e pútrida cada vez que surjo, sempre pior.”
Após esperá-la terminar de falar o leão despediu-se e foi, com lagrimas a escorrer dos olhos. Naquela mesma semana o circo fechou, e da flor não se soube mais.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Soltou o ar uma, duas vezes. Sorriu como se tivesse medo de fazê-lo, apenas puxando a ponta dos lábios. Estalava os dedos enquanto olhava para os lados nervosa, parecia querer fugir dali. Perguntou-lhe se havia algo de errado mesmo que a resposta pudesse ser “tu”, achava superior a educação à rejeição. Recebeu um seco “não” quase como um tapa, as mentiras bobas faladas verdadeiramente.
Sempre pensou que gostasse dali, era um bar com ar de bordel abandonado, o papel de parede rosado misturado à madeira encardida, quase como um refugio atemporal, e sua presença não a incomodava mais hoje que nos últimos anos, então seria algo novo. Nunca foi muito chegado à surpresas na outra metade. Especialmente se tal visão de divisões não era recíproca.
“O que está pensando?” Lançou logo que a viu vagando com olhares pelas decorações no local; seu interesse por design de interiores costumava condizer com seus melhores pensamentos.
“Ai, você e as suas perguntas. Que saco. Nada.” E logo após matou-lhe a pedradas em sua imaginação. Assumiu fazer isso quando dava esse tipo de resposta uma vez.
“Sem assassinatos imaginativos hoje, por favor. Quer ir embora ou só que eu vá?”
“Bebe a porra da sua cerveja e para de encher o saco.”
“Não.”
“Então só fica calado e não enche o saco. Garçon!!!!!! Vê mais um chopp, por favor.”
Rendeu-se a ficar em silencio fantasiando o quão eram mais felizes e carinhosos um com o outro no tempo passado, inventando uma memória aqui e ali só para torná-los mais destruídos a ponto de não terem salvação atualmente. Ah... a saudosa época do sexo diário ou a simples falta da diária “dor de cabeça”.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

wait, they don't love you like I love you.


E assim você chegou; sem avisos, explicações ou sequer batidas na minha porta. Arrebatou-me o ar e as amarras, traçou linhas pelo chão com pés descalços. Os sapatos abandonara assim que entrou, a casa era sua. Dobrou lençóis e desfez estações, das andorinhas aproveitou apenas a melodia voante do verão.
Catou uma a uma as estrelas do meu céu contando suas historias, fez do meu teu e este o nosso. Separou lagrimas e as levou ao sol, sempre diz precisarem de ar para se acalmar. Soltou versos e palavras para que preenchessem o teto, o infinito particular. Plantou lírios de sangue, morte e amor por todo o jardim, perfumou-me com um cheiro tão teu.
Diagnosticou-me de louca e eu a ti de bobo, nossos remédios sempre perdidos em cobertas e abraços.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

fill these spaces up with days.

Cumprimentou-o com os lábios úmidos, deslizou mãos e braços pelo seu corpo até envolvê-lo por completo. Afastou e olhou seus olhos, doces, sorriu. Não haviam mais palavras a serem ditas, não pelo peso que carregam no ar, mas por sua desnecessidade. Sentou ao seu lado no sofá e mais uma vez o envolveu, a ponta do nariz gelado encostando em sua bochecha.
“está com frio?”
“um pouco.”
“quer entrar?”
“hm. Não. Quero ficar com você.”
“Você pode ficar comigo lá dentro. Sem frio.”
“eu sei, mas movimentos são pesados demais para agora.”
Odiava quando falava palavras que não entendia, dessas metafóricas. Gostou apenas da idéia de ficar sentado lá ao seu lado, ela encolhendo seu pequeno corpo contra o dele a procura de calor. Havia se habituado aquele local, a essa casa quase tão sua quanto dela. Riu dos seus espirros altos e seguidos, se preocupava com essa alergia a tudo que nunca ia embora.
“Vamos entrar?”
“ai, que chato! Eu vou fazer café. Quer algo?”
“que você não fume.”
“algo para você...”
“isso é para mim.”
Apenas o olhou feio. Evitava ao máximo fumar ao seu lado, e secretamente haviam combinado que a hora do café também seria a do cigarro, mas isso só aconteceria uma vez no dia. Riu sozinha na cozinha dos pequenos acordos que faziam em silêncio, como o de nunca dizer “tchau” ao se despedirem para diminuir a saudade. Esperou a água ferver e serviu-se da xícara grande de café, seria mais uma das longas noites. Debruçou-se na janela da cozinha enquanto acendia o cigarro, o gosto doce para complementar a falta de açúcar.
“ah, é por isso que demora tanto.”
“você não gosta, não quis fazer perto de você.”
“entendo. Quer companhia?”
“desde quando você fuma?”
“não fumo. Só vou ficar ao seu lado.”
Riu seu sorriso bobo mais uma vez, este havia se tornado freqüente desde que a conhecera. As pernas magras com o fino torso apoiado na janela, sua xícara ao lado, o cigarro na ponta dos dedos, dava vontade de possuí-la ali. Era uma cena bonita, só por tê-la nela, mesmo com aquela coisa fedorenta na ponta. Não sabia por que continuava nos antigos vícios, pareciam de tanto tempo atrás, de outra pessoa, e gostava tanto da nova. Não seria outra, mas uma versão melhor da velha, mais.... arejada? Já começara a falar bobagens sem sentido.
“Então....”
“Então o que? Vou para perto quando acabar aqui. Está quase no fim.”
“Eu sei. Queria saber como será hoje.”
“Não sei. Como quer?”
“Como sempre.”
“hahaha. O típico conservador.”
“É por isso que gosto de só vir a você.”
Não entendeu a ultima frase, era de demais intimidade. Gostava apenas do fingir, da intimidade de velhos, e íntimos, amigos, mas mais que isso significaria problemas. Era doce e gentil e a tratava bem, apenas isso. Qualquer caminho diferente destruiria isso, a leveza.
“Já está tudo na caixinha.”
“Obrigada.”
“E como sempre...”
“Ai, não de novo! Sempre a mais! É tão bobo.”
“Talvez. Vamos?”
“Sim. Já sabe o caminho.”
E assim a porta se trancou mais uma vez, fechando o mundo a sua minimalidade e expandindo aquelas quatro paredes carcomidas pelo tempo. Talvez. Talvez a vida deveria resumir-se a só isso, esse momento, esse exato momento. O que acha?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

say goodnight and go.

Abriu-se para mais uma noite, desabrochou como as flores intocadas da primavera espantando o orvalho. Sorriu para as companheiras, distantes, invejou as mais brilhantes como sempre fazia. Soltou poeira com espirros e tosse, o frio nunca a fez bem e seu cobertor havia voado para longe há séculos, junto àquela nave estranha. Dançou em seu eixo, a dança desengonçada que tanto gostava, cantarolou a musica composta por uma amiga já apagada, dizem que a saudade é a melhor inspiração.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

eu desisto.
beijos e até nunca mais.