segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

                O coração vazio me pesa no peito como chumbo.
                As palavras de tão negadas, secaram.
                E não há mais droga no mundo que me traga de volta.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

#meuamigosecreto

#meuamigosecreto saiu com a ex por 6 meses antes de decidir que estes eram namorados, mesmo que o fossem em todos os sentidos. No final desse período ela viajou para fazer sua última prova de vestibular, e após isso saiu com os amigos e usou substâncias psicoativas para comemorar. Essa foi a gota d’agua para ele, pois não podia levá-la a sério com atitudes assim e terminou o relacionamento (que de certa forma nunca havia começado) com essa justificativa em uma conversa de msn.
Passados alguns dias, muito arrependido, ele viajou para encontra-la, pediu desculpas e os oficializou como um casal de namorados. Na mesma noite brigaram sobre como praticariam sexo, já que ela não queria fazer o que ele pedia, mas ele achou que com insistência conseguiria. E, ao longo dos dois anos de relacionamento e muitas brigas sobre o assunto, conseguiu. Até hoje esse é um assunto delicado para ela.
Com o tempo o relacionamento, que de iniciou como uma relação entre iguais, se tornou um molde da personalidade dela. Pois ela deveria agir, se vestir e portar de uma determinada forma para merecer o amor do namorado. Ama-la como era, claramente, não ia rolar. Não podia fazer tatuagens (mesmo querendo fazer uma há anos), pois ele dizia não querer a linda pele dela manchada. Chegou um dia com um piercing novo na orelha e a resposta foi “por que você não me avisou antes?”. Não podia usar as substâncias que queria porque gente séria não usa esse tipo de coisa, mesmo que os amigos que dividiam apartamento com ele usassem diariamente. Afinal, os amigos não eram a namorada dele.
A frequência dela em eventos sociais da recém iniciada faculdade sempre eram um assunto polêmico. Ele dizia que não a proibiria de ir, pois já tinha sofrido isso em relacionamentos anteriores e sabia o quanto era ruim. Porém, toda vez que a namorada comparecia em um começava uma enxurrada infinita de mensagens de textos, com assuntos complexos e inadiáveis. Caso demorasse a responder brigavam pois se ela não dava atenção a ele claramente estava fazendo algo de errado. Se chegasse atrasada após a festa na casa dele, seria outra discussão. O que estava fazendo? Não dava pra voltar antes? Alguém chegou em você? Tem certeza? (que diferença faz?)
Uma vez, enquanto brigavam porque ele vasculhou o facebook dela e encontrou uma conversa com um menino que não o agradou muito, ele levantou a mão. E ela teve certeza que ia apanhar naquele momento, ali, naquele apartamento vazio a 300 m de uma delegacia. Por sorte ele desistiu do ato e abaixou a mão para o lado enquanto pedia desculpas, dizendo que nunca faria isso com ela. Depois riu e zombou quando ela respondeu que se batesse, ela iria na delegacia na mesma hora. Ele já havia agredido outras exs-namoradas.
O termino foi uma das situações mais traumáticas da vida dessa menina. Ela se deprimiu, pensou em se matar. Ela o amava com todo o coração, mesmo com os constantes abusos verbais e morais. Ele a havia convencido que, sem ele, ela estaria sozinha no mundo. Afinal, quem iria amar uma gordinha sem graça como ela e com tantos problemas na cabeça? Alguns dias depois de terminarem ela recebeu uma mensagem de um facebook anônimo sobre como ele ria dela com os amigos dele, porque ela tinha engordado, sobre como apenas a namorou pois era mais nova e fácil de manipular, além de amável e que o tratava bem, e sobre a ida de outra menina (que já havia sido pivô de outras brigas durante o relacionamento) a casa dele no mesmo dia em que terminaram, mesmo que na época ele dissesse ainda gostar dela e que voltariam em algum tempo. Até hoje não sabe a veracidade da mensagem, mas sinceramente já não duvida muito.
Ele permaneceria na vida dela ainda por muito tempo, mesmo após iniciado um novo namoro com sua atual esposa, pois sabia que ela ainda tinha sentimentos por ele. Um dia em uma conversa bêbado pelo computador ele disse “o ruim de estar bêbado e com insônia é que não da pra bater uma e dormir” e ela se tocou que se ele não respeitava a então namorada, com certeza nunca a havia respeitado.
Pois é amigo, o único problema que eu tive na cabeça foi permanecer presa a você por tanto tempo.

(25/11/2015)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

05/02/2016

O homem que cuidava do tempo

Inexoravelmente cumpriu-se o ciclo da vida. Nascemos, crescemos e viramos pó de estrelas. Sempre é difícil assimilar a terceira parte e estranhamente ficamos tristes.

Rosalvo desde cedo se interessou pelo segredo do passar do tempo e resolveu ser mais um guardião dele. Com carinho, introspeção e enorme paciência, desmontava, reparava e dava corda em seus inúmeros relógios, sempre sob os olhares carinhosos e compreensivos de Ruth, de Regina, Rubens, Luciana, Gabriel, Eduardo, Flávio e Júlia, que imaginavam quantos giros dos ponteiros ainda estavam por vir.

Mas além de cuidar do tempo, também cuidava dos seus, mesmo que por vezes houvesse discordâncias sobre o tempo certo de cada um realizar os seus projetos, mas o segredo da vida não está no acerto, mas no afeto.

Desta forma, melhor é acertar as molas e engrenagens dos relógios e deixar que a engrenagem própria da vida faça os seus acertos na vida de quem se ama.

No seu jardim “pitava “eventualmente uma cigarrilha e curtia uma cuba-livre, resquício dos seus tempos de caserna.

Hoje neste dia lindo, de céu de BRIGADEIRO, lógico, resolveu conhecer outros lugares onde o tempo não tem mais importância.

Sentiremos saudades, mas nos lembraremos sempre com alegria da sua presença. 


- João Siqueira

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A gente sobrevivia de sexo, suor e cigarros.

                Eu lembro da primeira vez que te vi. Era uma rua pequena, cheia de gente, iluminada e enfeitada parecendo carnaval. Eu estava cansada de ter ido tão longe só para te encontrar, e mesmo sem te conhecer te reconheci assim que cheguei. Lembro do nosso primeiro beijo, quase roubado. Lembro da nossa primeira vez. Para mim, na verdade, foram várias primeiras vezes. E eu lembro de cada uma delas. Lembro de dividir um pedaço de bolo com você na chuva e de ter certeza de que era você quem havia ganho um pedaço meu. Lembro de na mesma noite estar cansada e querendo ir para casa, mas sem saber você me pediu para ficar. Lembro de já pela manhã nenhum dos dois quererem ir embora, e pensar de que talvez eu também ganhara um pedaço seu.
                Eu lembro de conhecer a sua casa e de chegar lá assustada. Lembro que te demorou quase uma noite inteira para descobrir o que acontecia e me acalmar. Lembro de depois te pedir para ficar mais, e você aceitar com um sorriso. Lembro do primeiro ciúme que tive de você, e de como te divertiu perceber isso na manhã seguinte. Lembro de ter a impressão de sempre tocar a mesma música no seu carro, mas que você tanto gostava. Uma vez me perguntou se já estava de saco cheio, respondi sincera que não.
                Eu lembro de te trazer para conhecer a minha casa, mesmo tendo aberto a porta embriagada. Lembro da flor que me trouxe. E de todas as outras. Guardo as pétalas escondidas em livros. Lembro de irmos à praia uma única vez juntos, e de como o seu cabelo ficava bonito brilhando no sol. Lembro de adormecer tantas vezes nos seus braços, tão cansada, e de acordar com a certeza de que a felicidade era minha. E tua. Nossa.
Eu também lembro da primeira vez que você partiu o meu coração. De como naquele instante todas as cores que você colocou no meu mundo se tornaram tons de cinza. Eu lembro de querer pedir o meu pedaço de volta, mas saber que não é assim que acontece. Lembro de nos ver mudados depois disso. Não haveriam mais flores, nem bolos. Não havia mais nós. Havia você e havia eu, despedaçada.
Lembro de abrir a porta uma última vez para você, e te encontrar nervoso do outro lado do corredor. Lembro de nos olharmos por algum tempo, nenhum dos dois sabendo como proceder. Lembro de passarmos o resto da noite juntos, como éramos. Lembro de você parar para apenas me olhar, e de não entender o que aquilo significava. Lembro de me permitir ter esperanças como poucas vezes o fiz. Lembro de você me pedindo para ligar quando retornasse de viagem, repetidas vezes. Lembro de não querer te deixar ir embora, por medo de quebrar o encanto, mas de saber que precisaria.

E eu lembro de ter de partir o meu coração pela segunda vez. Para que todas as outras lembranças permanecessem intactas, eu parti o pouco de mim que restara.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015


Você foi a janela para qual a minha alma se abriu. 
Chovia torrencialmente lá fora, as cortinas balançavam com o vento e eu me recusei a fechar. Havia água para todos os lados, meus pés estavam encharcados, enquanto meu coração cantava o fim da seca.
Pois o amor, querido, é inundação.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015


"The saddest end to a relationship is one where you have to break up with somebody when you’re still in love with them. It sounds bizarre but it happens, because the truth is, as powerful and as thrilling and as wonderful as it may be, love isn’t always enough and to be in love doesn’t always mean you’re happy. You can continue to love someone even after they’ve hurt you, but you know deep inside yourself that it won’t ever be the same again, so at some point, you have to let them go. When is the right time? You never know. That’s the sad part, too. You just have to walk to the edge of it all and jump, learning to grow back the wings you once had on the way down." - the-taintedtruth

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dias se transformam em noites enquanto meu tempo permanece suspenso. A roda da fortuna quebrou e apenas o limbo me resta. Este que transformo em inferno para queimar. Flerto com meus demônios e eles me repetem ao pé do ouvido: Todo carnaval tem seu fim e de você nem as cinzas vão sobrar.