terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

wait, they don't love you like I love you.


E assim você chegou; sem avisos, explicações ou sequer batidas na minha porta. Arrebatou-me o ar e as amarras, traçou linhas pelo chão com pés descalços. Os sapatos abandonara assim que entrou, a casa era sua. Dobrou lençóis e desfez estações, das andorinhas aproveitou apenas a melodia voante do verão.
Catou uma a uma as estrelas do meu céu contando suas historias, fez do meu teu e este o nosso. Separou lagrimas e as levou ao sol, sempre diz precisarem de ar para se acalmar. Soltou versos e palavras para que preenchessem o teto, o infinito particular. Plantou lírios de sangue, morte e amor por todo o jardim, perfumou-me com um cheiro tão teu.
Diagnosticou-me de louca e eu a ti de bobo, nossos remédios sempre perdidos em cobertas e abraços.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

fill these spaces up with days.

Cumprimentou-o com os lábios úmidos, deslizou mãos e braços pelo seu corpo até envolvê-lo por completo. Afastou e olhou seus olhos, doces, sorriu. Não haviam mais palavras a serem ditas, não pelo peso que carregam no ar, mas por sua desnecessidade. Sentou ao seu lado no sofá e mais uma vez o envolveu, a ponta do nariz gelado encostando em sua bochecha.
“está com frio?”
“um pouco.”
“quer entrar?”
“hm. Não. Quero ficar com você.”
“Você pode ficar comigo lá dentro. Sem frio.”
“eu sei, mas movimentos são pesados demais para agora.”
Odiava quando falava palavras que não entendia, dessas metafóricas. Gostou apenas da idéia de ficar sentado lá ao seu lado, ela encolhendo seu pequeno corpo contra o dele a procura de calor. Havia se habituado aquele local, a essa casa quase tão sua quanto dela. Riu dos seus espirros altos e seguidos, se preocupava com essa alergia a tudo que nunca ia embora.
“Vamos entrar?”
“ai, que chato! Eu vou fazer café. Quer algo?”
“que você não fume.”
“algo para você...”
“isso é para mim.”
Apenas o olhou feio. Evitava ao máximo fumar ao seu lado, e secretamente haviam combinado que a hora do café também seria a do cigarro, mas isso só aconteceria uma vez no dia. Riu sozinha na cozinha dos pequenos acordos que faziam em silêncio, como o de nunca dizer “tchau” ao se despedirem para diminuir a saudade. Esperou a água ferver e serviu-se da xícara grande de café, seria mais uma das longas noites. Debruçou-se na janela da cozinha enquanto acendia o cigarro, o gosto doce para complementar a falta de açúcar.
“ah, é por isso que demora tanto.”
“você não gosta, não quis fazer perto de você.”
“entendo. Quer companhia?”
“desde quando você fuma?”
“não fumo. Só vou ficar ao seu lado.”
Riu seu sorriso bobo mais uma vez, este havia se tornado freqüente desde que a conhecera. As pernas magras com o fino torso apoiado na janela, sua xícara ao lado, o cigarro na ponta dos dedos, dava vontade de possuí-la ali. Era uma cena bonita, só por tê-la nela, mesmo com aquela coisa fedorenta na ponta. Não sabia por que continuava nos antigos vícios, pareciam de tanto tempo atrás, de outra pessoa, e gostava tanto da nova. Não seria outra, mas uma versão melhor da velha, mais.... arejada? Já começara a falar bobagens sem sentido.
“Então....”
“Então o que? Vou para perto quando acabar aqui. Está quase no fim.”
“Eu sei. Queria saber como será hoje.”
“Não sei. Como quer?”
“Como sempre.”
“hahaha. O típico conservador.”
“É por isso que gosto de só vir a você.”
Não entendeu a ultima frase, era de demais intimidade. Gostava apenas do fingir, da intimidade de velhos, e íntimos, amigos, mas mais que isso significaria problemas. Era doce e gentil e a tratava bem, apenas isso. Qualquer caminho diferente destruiria isso, a leveza.
“Já está tudo na caixinha.”
“Obrigada.”
“E como sempre...”
“Ai, não de novo! Sempre a mais! É tão bobo.”
“Talvez. Vamos?”
“Sim. Já sabe o caminho.”
E assim a porta se trancou mais uma vez, fechando o mundo a sua minimalidade e expandindo aquelas quatro paredes carcomidas pelo tempo. Talvez. Talvez a vida deveria resumir-se a só isso, esse momento, esse exato momento. O que acha?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

say goodnight and go.

Abriu-se para mais uma noite, desabrochou como as flores intocadas da primavera espantando o orvalho. Sorriu para as companheiras, distantes, invejou as mais brilhantes como sempre fazia. Soltou poeira com espirros e tosse, o frio nunca a fez bem e seu cobertor havia voado para longe há séculos, junto àquela nave estranha. Dançou em seu eixo, a dança desengonçada que tanto gostava, cantarolou a musica composta por uma amiga já apagada, dizem que a saudade é a melhor inspiração.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

eu desisto.
beijos e até nunca mais.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

don't tell me I told you so.

Despiu-se da calma acalentadora enquanto adentrava a casa de piso de mármore, seus passos secos ecoando pelo infinito enjaulado. Das pequenas janelas nada se via, os tons variavam entre o cinza e o branco, apenas uma nuvem, a mais escura, ousava deixar uma ponta de azul claro passar. Por onde andaria o seu sol?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Meme

Já que não tenho nenhum texto novo para postar aqui e o desabafo idiota que planejei escrever mais cedo era.... idiota; vou postar essa adoravel brincadeira que a B. me mandou. Até agora estou escolhendo roupa para poder sair com ela, sou uma desgraça.


Regras:

Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui/ Passar o meme para 8 pessoas/ Comentar no blog de quem lhe passou o meme/ Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação"/ Mencionar as regras.

1. Passar para Medicina na UFRJ, ESSE ANO AINDA! (ou pelo menos voltar a estudar para não tornar a derrota tão humilhante);
2. Aprender a esquecer alem de perdoar;
3. Fazer dieta ao inves de mentir para mim mesma que começarei amanhã;
4. Nunca largar da unica pessoa que me traz lagrimas de felicidades esses dias, mesmo que ele não saiba disso tão bem quanto deveria;
5. Aprender a tocar piano, cozinhar e desenhar algo alem de bonecos de palito. Nunca é tarde para realizar sonhos infantis;
6. Ter sempre mais palavras fora de mim que dentro;
7. Viajar. Não importa pra onde;
8. Gostar de mim;

and the Oscar goes to:
Zi

Diego

Rice

Chaka


é. não tenho oito pessoas. fazer o que!?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

I don't believe that anybody feels the way I do about you now.


Ele é todo olhares, e eu sou o adeus. Todo risos, abraços e chamegos; e eu o medo. É as sete da manhã da primavera com pássaros a cantar, a covinha do sorriso sonso; eu o mais escuro da madrugada. Todas aquelas coisas que não entendo juntas, a falta de significado na lógica; e eu as palavras. É o resumo, o bruto, o sucinto; eu sou prolixa até o fim. Ele é vontade; eu sou necessidade.