domingo, 13 de abril de 2008

we sure are cute for two ugly people



Se pudesse contava-te segredos até o amanhecer. Sussurava-os um a um em seu ouvido, mesmo que não estivesse mais a escutar. Contaria de vidas e mortes passadas, floria toda primavera e matava cada inverno. Alegrava-me com as paredes, abriria grandes sorrisos para que só elas vissem, detalharia cada imperfeição sua.

( desenho: www.fotolog.com/griffonnages)

segunda-feira, 31 de março de 2008

[ Olivia Broadfield - It's a long way ]

Lutei um dia inteiro contra a vontade de escrever isso. Na verdade, não foi só um dia, deve fazer algumas semanas agora, mas só há um dia essa vontade realmente me incomoda.
É verdade que não tenho nada a falar, nada que resolvesse as coisas ou fizesse diferença, nem muito menos algo que queira ler. Acho que não queria ler nada, queria apenas me ver desaparecer do mesmo jeito que surgi, ou talvez quem sabe aos poucos, como um pôr-do-sol de inverno.
Seria mais fácil se soubesse, se sumissem uma a uma as suposições e as idéias, secassem as lagrimas no rosto. Queria certezas, palpitações de um coração dilacerado, tiros certeiros na sala escura. Costas verbais a longitudes físicas.
Desistências, resistências, reticências a parte, houve amor. Não, não amor, houve junção. Falta de espaços imaginários ou reais, sincronia em tempo e palavras. Existiu, em um pequeno aquário fictício, o desespero de dois que, na verdade, eram um.
Não há mais palavras, só vontades. Isso é o inicio e o fim de tudo. É meu ápice que precede minha queda.

domingo, 23 de março de 2008

Cantou-se a mesma musica para as borboletas do infinito, as asas amarelas arrepiavam.

Deixou-se que o cadeado comido pela ferrugem caísse ao chão, não havia mais lógica para fechaduras. Estava tudo aberto, jogado, arregaçado. Eram como papeis cortados jogados em uma bela paisagem, girando e voando até cair.
Espalhou os cacos, contou-os, observou suas cores e formas. Não havia mais como junta-los, eram apenas uma sucessão de acontecimentos, jamais poderia se dizer da onde vieram.
Desatou um a um os nós do cabelo. Despiu do casaco dor de carmin, espantando o inverno. Calou-se das banalidades protetoras, de nada mais lhe serviam. Sem o frio logo vem o calor, trazendo o abrir da primavera. Cores talvez a levassem dali.



Os lírios desabrochados pela luz derreteram-se no vento, semeou o ar com perfume e pólen.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Did you take the time to realize?

Daquelas duas mãos que se tocaram, como tantas outras já o fizeram sem perceber, nasceram os sorrisos e as caricias trocadas em murmuros silenciosos. As ruas desfilavam tristes com o céu alaranjado nos olhos cansados, desconcentrados de tudo. Da tarde ínfima surgia o brilho da noite, perguntava quantas estrelas era possível contar na piscina infinita dos olhos dilatados. Presos pela incerteza do seu amor, despediam-se com beijinhos ao horizonte, certos que errariam o destino.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

no pressure over cappuccino

Passaram as estações, mudaram as folhagens, caíram as mascaras. Dedilhou-se cada sensação, deixou-se vibrar até terminar o som. Abriram-se os olhos para fechar, bateu-se cada porta até restarem quatro paredes. Fugiu do inicio para o inicio.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

I terribly miss you (more than you'll ever know)

Maybe this decision was a mistake, you probably don't care what I have to say, but it's been heavy on my mind for months now. Guess I'm trying to clear some mental space. I would love to talk to you in person, but I understand why that can't be. I'll leave you alone for good I promise, if you answer this one question for me. I just wonder; do you ever think of me anymore? Do you?

(cansei de tentar usar minhas palavras.)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

(?)

Com quantas palavras se faz um verso, uma poesia, uma prosa? De quantos fonemas sentimentos são feitos ou descritos? Quanto tempo se leva para viver?
O que é a vida exatamente? De quanto ar e água ela é feita? Quantos risos e choros, quantas paixões? É possível pega-la, tateá-la, senti-la, fazer amor com ela? Quanto ela custa?
O que te leva à ser alguém? Dinheiro? Casa? Beleza? O que é exatamente “ser alguém”? É lembrarem de te ligar no seu aniversario ou para checar se está vivo em um curto período de tempo? É saberem do seu passado, do seu presente e imaginarem o seu futuro ou é simplesmente saberem que você existe sem mais razões ou explicações? A que isso te leva?
O que significam as palavras “eu te amo”? Já li que se os índios inventaram dez palavras para simplesmente falar “canoa” como se é possível resumir amor a uma só palavra!? Existem no mínimo dez tipos de canoas conhecidas por eles e só um tipo de amor conhecido pelo mundo? O amor que sinto pelo meu cachorro é o mesmo que sinto pela pessoa com quem me disponho a passar o resto da minha vida sem ter obrigação? O mesmo amor que você sente é o que eu sinto?