E
depois de um ano você não está mais em mim. Não há mais a sua presença, ou ausência,
pelas ruas e durante meus dias. Os livros não tem mais o teu cheiro, nem meu
corpo o seu formato. Pequeno e pequena se tornaram apenas palavras, e não
segredos que conto mim mesma. Seu nome se tornou apenas mais um, dentre tantos.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Hoje
assisti o primeiro paciente morrer. Digo “o” no lugar de “meu” pois, na
verdade, este não pertencia a ninguém até o exato momento no qual isso foi
necessário. Até o segundo no qual seus sistemas falharam e todos, heroicamente,
correram para resgatá-lo. Morreu ali
mesmo no corredor, estendido em um banco, e nenhum esforço foi suficiente.
Assisti
tudo a minha luz de mera estudante, não podendo ou sabendo fazer nada além
disso: observar. Olhei tudo nos mínimos detalhes, a correria das enfermeiras
tentando coletar materiais e assistir os médicos, estes gritando com residentes
e internos, mas ao mesmo tempo possuídos de uma calma sobre humana. Vi, com o
maior pesar, uma família se despedir de um ente querido. Que morreu em um
corredor, onde todos continuavam e continuarão passando.
Prestei
atenção em minhas emoções e no fato de surpreendentemente a morte não me
surpreender. Não me foi estranho ou desgostoso ver aquele corpo, já sem vida,
ali deitado enquanto esperava uma maca para carregá-lo e salvar os mais
sensíveis de sua visão. E nem de longe foi prazeroso. Parecia um ato cotidiano
incômodo, algo que eu sei que devo me acostumar, mas não sei se quero. Ao meu
lado havia uma família chorando sua perda, e eu apenas atônita parada no meio
do corredor.
Ali
jazia um ser humano, com angustias, alegrias e uma família a velar por ele. Vi
uma mãe, no dia seguinte ao dia das mães, dizer adeus a seu filho e desejar-lhe
bem para onde quer que tenha ido. Um filho perder o pai e imergir em lagrimas,
sem conseguir dizer nada. Uma mulher perder seu marido e tentar fazer com que a
família não desmorone, talvez apenas para que ela mesma também não o faça. Quis
abraçá-los e dizer que tudo ficaria bem, mesmo sabendo ser uma mentira. Nada
mais será o mesmo a partir de agora para eles, e tudo começou em um banco no
corredor de um hospital enquanto aguardavam uma consulta.
Percebi
o jaleco branco como um disfarce, um contraste sobre o nosso véu negro. Pois,
ao mesmo tempo em que somos responsáveis por início, recuperação de sistemas e
até a restauração de vidas, também carregamos escondida a foice da morte. E
esta ocorre em todos os lugares, até em um corredor de ambulatório às oito da
manhã de uma segunda feira.
(15/03/2013)
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Reciclei
um a um os momentos ruins. Da dor fiz as mais bonitas flores, as quais reguei
com as lagrimas colecionadas. Com as palavras amargas trocadas fiz minhas
borboletas, pois até do hediondo se faz o belo. E é assim que eu gosto de
lembrar de você.
domingo, 31 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
'cause lately I've been craving more.
Nos
conhecemos não faz muito tempo. Não lembro como nem onde, mas quando dei por
mim estávamos lá embriagados e rindo. Eu disso e você daquilo, era carnaval e
cada um tinha sua fantasia. Gostou da minha, hora ou outra achava um jeito de
me tocar enquanto fazia graça do meu laço no cabelo. E o seu chapéu sempre a
cair. Éramos dois perdidos que se encontravam no mesmo lugar.
“Vamos
dançar!” berrou enquanto agarrou a minha mão e me levou para a pista, nem tive
tempo de responder. Rimos enquanto inventávamos passos de dança, cada vez um
mais próximo ao outro. Disse que não podia estar la comigo, eu fiz cara de quem
não se importava. “É carnaval” respondi e te puxei para perto. Nos beijamos ao
som de alguma musica conhecida, eu me apoiando em você tentando não cair. Rimos
quando nos afastamos, quis beijar seu nariz e dizer algo doce. Seu chapéu caiu
em mim mais uma vez e esqueci porque estávamos lá, ou apenas o porquê de ainda
não termos partido.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
O amor é uma droga, e como tal irá consumi-lo até mais nada
sobrar. Tomará seus dias e suas noites, nas quais cada vez mais se encontrará
vagando sem rumo. E da sua sanidade.... desta ele zombará com todas as forças, fazendo
florescer cada esquina e trazendo raios de sol mesmo nos dias mais
tempestuosos. Pois aquele que nunca enlouqueceu de amor não conheceu a
felicidade.
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