As vezes tudo parece uma mentira, só as vezes.
Naquelas poucas e raras nas quais eu procuro a verdade. Chega até a ser irônico, procurar uma coisa e achar o seu exato oposto.
Eu me pergunto quem seria o errado, eu que procuro ou você que tenta esconder. Não sei, talvez sejamos os dois. Ou nenhum. Sempre fomos um pouco disfuncionais mesmo.
Sorte a minha que a tua falta de interesse torna esse espaço indiferente a nós. Então não preciso me preocupar nem com verdades ou mentiras, apenas omissões.
sábado, 24 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
"So how's it like having everybody love you?"
"It Sucks."
*laughs* "Why? Don't like being desired?"
“No, it’s not that. It’s because, in the end, people only see what they want to. So is like having no one actually knowing me.”
“What do you mean?”
“People get amazed when I say I’m unhappy, but I’ve been like that for as long as I can remember. The thing is that I’m always smiling, laughing and fucking, so I’m supposed to be happy, but I’m just not.”
“...”
*lights a cigarrete* “See, even you got amazed.”
“But if people don’t see what you don’t show, it can’t only be their faul.”
“I’m not saying whose fault it is, just that it sucks.”
"It Sucks."
*laughs* "Why? Don't like being desired?"
“No, it’s not that. It’s because, in the end, people only see what they want to. So is like having no one actually knowing me.”
“What do you mean?”
“People get amazed when I say I’m unhappy, but I’ve been like that for as long as I can remember. The thing is that I’m always smiling, laughing and fucking, so I’m supposed to be happy, but I’m just not.”
“...”
*lights a cigarrete* “See, even you got amazed.”
“But if people don’t see what you don’t show, it can’t only be their faul.”
“I’m not saying whose fault it is, just that it sucks.”
segunda-feira, 22 de março de 2010
quase Alice...

Foi numa tarde de segunda-feira que a vi, enquanto sentava na Travessa encolhida a estudar. A primeira vista era apenas um pequeno borrão, o mais colorido que já havia visto, mas ainda uma figura disforme graças à miopia e a falta de óculos. Rapidamente os busquei dentro da mochila para poder observá-la melhor, era uma das criaturas mais belas que já me havia cruzado os olhos. Continuei ali, perdida no tempo, a admirá-la do outro lado do vidro, folheava revistas sem importância, apenas para passar o tempo. Não era o tipo de beleza para todos; era esquisita, com os cabelos curtos e roupas de cores engraçadas descombinadas, mas era o suficiente para ser o meu. Apaixonei-me ali. Não iria abordá-la, imagine só o cômico de ser abordada no meio de uma livraria em plena segunda a tarde de sol, seria demasiado embaraçoso para ambas. Ao invés contentei-me em continuar fazendo o que já havia começado: imaginar-lhe nomes. Não possuía feições doces o suficiente para chamar-se Cecília ou Sophia, meus nomes preferidos, mas a julgar pelo numero de livros em sua mão gostava tanto da arte da leitura quanto eu, então, pelo motivo mais clichê possível, chamei-lhe Alice.
Sentava-se a minha frente agora em uma das outras mesas, precisei me controlar para não encará-la demais, sei que tendo a fazer isso as vezes, por pura inocência. Como fomos felizes Alice e eu aquela tarde na minha imaginação, tínhamos uma vida, um futuro juntas. Nossas tardes eram sempre alaranjadas e com sabor de baunilha, e sempre havia uma chuva no finalzinho para refrescar; as noites eram amenas e estreladas, cheiravam a dama-da-noite e com vaga-lumes a serem vistos piscando no horizonte. Quando dei por mim estava sozinha na loja já a fechar e meu ônibus prontamente já saia do ponto, minhas coisas todas espalhadas na mesa e nada feito, as folhas apenas com as linhas azuis impressas. Arrumei tudo e logo me aprontei para partir; na saída passei propositalmente perto da mesa onde sentava mais cedo, na tentativa de capturar a sua essência já desaparecida no ar.
Voltei lá todos os dias, sentava na mesma mesa e agora com os óculos já no rosto. Alguns levava-lhe uma carta, escrita exatamente o que se lê aqui, apenas a carregava, sabia que não conseguiria entregar.
Voltei lá todos os dias, e nunca mais a vi.
sexta-feira, 12 de março de 2010
you walk this world like you're a ghost

Desabotoou a camisa devagar, queria saborear aquele momento. Na verdade, as mãos apenas tremiam impedindo a agilidade, o que era ridículo.
“Algum problema?” ele sorriu e perguntou, pegando as suas bochechas nas mãos.
“Não, nada.” Ela riu e olhou para o lado. O que fazia ali?
“Deixa que eu faço.”
E pegou a blusa das mãos dela, estava impaciente. A desejava há tanto tempo, imaginou e repetiu cenas na mente por semanas, meses talvez. Mesmo antes daquele beijo, aquele acidental e errado beijo. Ela olhava pela janela, não importava de estar seminua ali em frente a rua, parecia que queria que olhassem. Abraçou-a e beijou seu pescoço, as mãos deslizavam pela pele descoberta, mas continuou imóvel, apenas soltando um gemido.
“Está tudo bem?” ele perguntou, olhando o seu rosto apático.
“Está sim, pode continuar.” Ela respondeu, virando-se e sentando na mesa, abrindo as pernas vagarosamente. “ou desistiu?”
Ele apenas abriu um sorriso, sádico, cruel, e ela o respondeu. A possuiu ali mesmo, para todos os vizinhos escutarem, ao maior volume. Ocuparam moveis, assoalhos e horas, esquecendo de respirar, puxando o ar apenas quando necessário, o resto do tempo batiam e mordiam, em meio a juras de amor secretas, em sorrisos e olhares. Eram o amor e o ódio, um pelo outro, e pelo mundo.
As sombras alaranjadas dançavam no reflexo pelas paredes e espelhos, havia muitos ali, lembrava a um motel, talvez fosse, não sabia mais como havia parado ali, grudada àquele outro corpo, trocando cheiro e suor. Não sabia se chorava ou ria, apenas ouvia a outra voz ao longe, em um murmurinho chato, queria que se calasse, a desconcentrava.
“CALA A BOCA!” Gritou antes de perceber o erro que cometia, se encolhendo logo em seguida.
“Oi?”
“Nada.”
“Você está bem?”
“Eu estou ótima.”
“É nisso que você está pensando nas ultimas três horas? Porque aqui você não está.”
“Não, e claro que estou aqui, não está me vendo!? Desculpa, continua.”
“Não.” E andou para trás atordoado, recolhendo a roupa jogada. Como voltaria para casa?
“Ai... desculpa vai.” Ela falou empurrando-o na cama, beijando o seu rosto.
“Não. Deixa eu ver os seus olhos.”
“Oi? Pra que?! Não.” Falou saindo da posição que se encontrava e levantando da cama, andando de costas escondendo o rosto.
“Você está doidona, não está? Vem cá!”
“NÃO!!!!” E se apoiou no pequeno armário de gavetas antes que caísse, as pernas falhavam, e o a madeira solta do piso machucaria se caísse. Agora percebia estar em casa, de onde teriam vindo todos os espelhos?
“O que tem de errado com você? O que está acontecendo? Por que você não me conta? Cadê!? O que você usou!?” Ele berrava, descontrolado, estava preocupado, sabia que não deveria ter ido, não tão cedo, temia perder tudo ali. “ Vem cá.”
A puxou pelo braço até o banheiro, estava trancado então arrombou a porta.
“O que você fez?”
Estava tudo destruído, manchado, sujo, havia um canudo de metal ao jogado ao chão e frascos vazios, cada coisa em um canto do cômodo. Ela chorava, gritava, caída ao chão, sem saber para onde ir. Ele a colocou no box e a abraçou, ela chutava e gritava, não havia mais nada a ser feito.
“O que você fez com você?”
“VAI EMBORA!!!!” Gritou com a ultima força que havia em si, depois disso não conseguiria pronunciar outra palavra.
“NÃO! NÃO COM VOCE ASSIM, SUA ESTUPIDA! POR QUE É TÃO TEIMOSA?”
“POR QUE VOCE É, SEU ESCROTO?!”
“PORQUE EU TE AMO, E VOCE FICA ASSIM POR ELE!!!”
“ELE NÃO TEM NADA COM ISSO, QUEM ESTÁ QUEBRADA SOU EU! VAI EMBORA, por favor.” E chorou enterrando o rosto em seu peito, deixando-se ser abraçada. Pedia desculpas baixinho, beijava seus ombros, os movimentos voltando ao normal.
Abriu devagar a água gelada sobre os dois, ela tremia, só assim reparou os roxos pelos seus braços e pernas, as costelas amostra, e foi beijando cada parte, enquanto acariciava o seu cabelo.
“desculpa....” Repetiu mais uma vez, como se estivesse quebrada, encostada a parede do chuveiro com a maquiagem borrada a escorrer pelo rosto.
“eu sei. vou passar o resto da noite aqui com você, nada precisa acontecer, só vou ficar por aqui.”
“não precisa, pode ir.” Ela falou empurrando-o para perto e aninhando-o em seu peito, dando um pequeno sorriso, como se querendo mentir estar bem.
“mas eu quero ficar.”
“não, você não quer, mas sabe que é o certo. Obrigada.”
E o beijou pelo rosto todo, sabendo o que fazia agora, deixou que a possuísse de novo, mais devagar, ambos chorando com os rostos escondidos.
Acordaram ali com a luz a entrar pela janela do quarto, ainda na mesma posição, abraçados, como verdadeiros amantes.
“Bom dia.”
Falava mais que o necessário.
terça-feira, 2 de março de 2010
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Imagine-me assim: uma criança, de uns 5 ou quiçá 6 anos, presa em uma loja de objetos de cristal, todos expostos em prateleiras pelos estreitos corredores. São vasos, pratos, copos, lustres e tudo mais que se pode imaginar, cada peça mais linda e delicada que a outra. Pelas primeiras horas observá-los me deixa extasiada, sem necessidade de respirar, apenas absorvendo todo o brilho a minha volta, são tantas cores vindas do cristal transparente. Dias depois, porém, nada me parece mais tão bonito assim; há imperfeições, poeira e rachaduras do tempo, os brilhos são sempre as mesmas luzes refletidas. Ocorre-me a brilhante idéia, a mais infantil de todas: por que não quebrá-los? Chutá-los um a um, ouvir os estilhaços quebrando e voando, batendo uns nos outros, machucar-me na deliciosa anarquia do caos.
Não há ninguém comigo lá, nenhum pai, responsável, ou sequer um vendedorzinho franzido, apenas placas em todos os cantos com “NÃO TOQUE” em letras garrafais e câmeras, muitas câmeras. Sou sempre observada a distancia. Logo passo a maior parte do tempo apenas observando tudo, andando calmamente, vez ou outra arriscando uma corridinha, mas nada demais, afinal, não posso tocar em nada. Já tropecei algumas vezes e quebrei pequenos objetos, mas nada que realmente pudesse me incriminar, foram apenas acidentes de percurso. Meu desejo de parti-los apenas cresce, enjaulado como uma fera, gritando cada dia mais.
Até que um dia, dia qualquer, eu acordo sem câmeras, ou sequer avisos nas prateleiras. Há mais luzes e lâmpadas, poucos cantos escuros para esconder-me caso algo de errado, mas nada para me avisar o que isso seria. Fico um tempo estática, esperando a pegadinha, procurando algum pequeno sinal de erro, mas não há nada lá. Talvez a loja tenha sido fechada, e me esqueceram dentro junto a todos aqueles objetos, agora já sem importância.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
what can I do to make this change?
Olhou-o com olhos úmidos, tentando engolir o soluço, procurava algum brilho para se agarrar.
“Então é isso?”
“Acho que sim.”
“Mas...”
“Não, não temos mais espaço para isso, sejam palavras ou gestos; não nos resta mais nada.”
E assim ela se pos a chorar, como que pela morte de algo importante, insubstituível, sugando todo ar a sua volta na esperança de que acabasse. Ele a abraçou evitando que caísse, sempre foram o pilar um do outro, e deixá-la desabar agora seria covardia.
“Desculpa, sei que não queria assim.”
“Você não tem o direito de pedir desculpas, de falar que vai melhorar, ou que eu sou a melhor coisa que já te aconteceu. Eu sei de tudo isso, e é tudo verdade, mas não é da sua boca que essas palavras devem sair.” Ela falava em gritos com o rosto afundado no peito, como que tentando entrar lá, entender o que se passava ali.
“Então o que você quer que eu diga?”
“Que você vai voltar.” Com a pouca força que restava agora tentava se afastar, mas os braços a sua volta cada vez mais apertavam.
“Não posso mentir para você. Seria injusto. Mas não vou te soltar até ter certeza que não vai sair daqui e fazer alguma besteira.”
“Claro que pode, você podia mentir pra sempre para mim, me faria feliz.”
“Mas não seria a verdade.”
“Para mim seria.”
“Eu te amo.”
“Mentiroso, agora eu já sei a verdade. E não importa o que faça, nunca mais será a mesma coisa. Uma ferida após aberta fecha, mas nunca volta a ser igual a antes.”
“Eu sei. Desculpa.”
“Já disse para não falar isso. Posso ir embora agora?”
“Só mais um pouco, por favor.”
“Se você não me deixar ir agora, vou achar que quer que eu fique.”
“Ta.”
“Eu te amo.”
“Eu sei.”
E assim a porta foi aberta, deixando ir um coração despedaçado e fechando outro partido.
“Então é isso?”
“Acho que sim.”
“Mas...”
“Não, não temos mais espaço para isso, sejam palavras ou gestos; não nos resta mais nada.”
E assim ela se pos a chorar, como que pela morte de algo importante, insubstituível, sugando todo ar a sua volta na esperança de que acabasse. Ele a abraçou evitando que caísse, sempre foram o pilar um do outro, e deixá-la desabar agora seria covardia.
“Desculpa, sei que não queria assim.”
“Você não tem o direito de pedir desculpas, de falar que vai melhorar, ou que eu sou a melhor coisa que já te aconteceu. Eu sei de tudo isso, e é tudo verdade, mas não é da sua boca que essas palavras devem sair.” Ela falava em gritos com o rosto afundado no peito, como que tentando entrar lá, entender o que se passava ali.
“Então o que você quer que eu diga?”
“Que você vai voltar.” Com a pouca força que restava agora tentava se afastar, mas os braços a sua volta cada vez mais apertavam.
“Não posso mentir para você. Seria injusto. Mas não vou te soltar até ter certeza que não vai sair daqui e fazer alguma besteira.”
“Claro que pode, você podia mentir pra sempre para mim, me faria feliz.”
“Mas não seria a verdade.”
“Para mim seria.”
“Eu te amo.”
“Mentiroso, agora eu já sei a verdade. E não importa o que faça, nunca mais será a mesma coisa. Uma ferida após aberta fecha, mas nunca volta a ser igual a antes.”
“Eu sei. Desculpa.”
“Já disse para não falar isso. Posso ir embora agora?”
“Só mais um pouco, por favor.”
“Se você não me deixar ir agora, vou achar que quer que eu fique.”
“Ta.”
“Eu te amo.”
“Eu sei.”
E assim a porta foi aberta, deixando ir um coração despedaçado e fechando outro partido.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
goodbye...
“And I want to play hide-and-seek and give you my clothes and tell you I like your shoes and sit on the steps while you take a bath and massage your neck and kiss your feet and hold your hand and go for a meal and not mind when you eat my food and meet you at Rudy’s and talk about the day and type your letters and carry your boxes and laugh at your paranoia and give you tapes you don’t listen to and watch great films and watch terrible films and complain about the radio and take pictures of you when you’re sleeping and get up to fetch you coffee and bagels and Danish and go to Florent and drink coffee at midnight and have you steal my cigarettes and never be able to find a match and tell you about the the programme I saw the night before and take you to the eye hospital and not laugh at your jokes and want you in the morning but let you sleep for a while and kiss your back and stroke your skin and tell you how much I love your hair your eyes your lips your neck your breasts your arse your and sit on the steps smoking till your neighbour comes home and sit on the steps smoking till you come home and worry when you’re late and be amazed when you’re early and give you sunflowers and go to your party and dance till I’m black and be sorry when I’m wrong and happy when you forgive me and look at your photos and wish I’d known you forever and hear your voice in my ear and feel your skin on my skin and get scared when you’re angry and your eye has gone red and the other eye blue and your hair to the left and your face oriental and tell you you’re gorgeous and hug you when you’re anxious and hold you when you hurt and want you when I smell you and offend you when I touch you and whimper when I’m next to you and whimper when I’m not and dribble on your breast and smother you in the night and get cold when you take the blanket and hot when you don’t and melt when you smile and dissolve when you laugh and not understand why you think I’m rejecting you when I’m not rejecting you and wonder how you could think I’d ever reject you and wonder who you are but accept you anyway and tell you about the tree angel enchanted forest boy who flew across the ocean because he loved you and write poems for you and wonder why you don’t believe me and have a feeling so deep I can’t find words for it and want to buy you a kitten I’d get jealous of because it would get more attention than me and keep you in bed when you have to go and cry like a baby when you finally do and get rid of the roaches and buy you presents you don’t want and take them away again and ask you to marry me and you say no again but keep on asking because though you think I don’t mean it I do always have from the first time I asked you and wander the city thinking it’s empty without you but I want what you want and think I’m losing myself but know I’m safe with you and tell you the worst of me and try to give you the best of me because you don’t deserve any less and answer your questions when I’d rather not and tell you the truth when I really dont’ want to and try to be honest because I know you prefer it and think it’s all over but hang on in for just ten more minutes before you throw me out of your life and forget who I am and try to get closer to you because it’s a beautiful learning to know you and well worth the effort and speak German to you badly and Hebrew to you worse and make love with you at three in the morning and somehow somehow somehow communicate some of the overwhelming undying overpowering unconditional all-encompassing heart-enriching mind-expanding on-going never-ending love I have for you.”
-Sarah Kane, Crave
-Sarah Kane, Crave
Assinar:
Postagens (Atom)