sábado, 3 de novembro de 2012

una mattina.



   Porque o amor, diferente de muitas coisas, não pode ser guardado em potes. Não é colecionável. Foi feito para ser dividido e multiplicado, mas nunca guardado. Como flor precisa de sol e brisa fresca, senão murcha até morrer.
   Não é mensurável, nem pode ser contabilizado. Não deveria se dizer “tenho um amor” (muito menos números maiores), mas sim  “sinto amor”. Pois na verdade é ele quem nos possui e controla enquanto presente, fazendo o mais absurdo absolutamente plausível e transformando o tosco em adorável.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

   A minha vida é feita de paixões, e a sua? Pois não há dor ou quantidade de lágrimas que supere minha capacidade de me apaixonar. Seja por uma música, uma frase, um sorriso ou uma pessoa inteira.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

I don't want to tear your world apart, but that's how it's going to be.




      Muitos disseram que este ano o mundo acabaria e que todos encontraríamos o nosso fim. Erradas estas previsões ou não, vi muitos mundos mudarem ou acabarem nesse meio tempo. O meu incluso.
   Foi um ano de mudanças, difícil, duro e impetuoso. E, apenas para contraste, precedido por um 2011 leve e alegre. Poucas coisas permaneceram em seus lugares (talvez lares) anteriores e, quer gostemos ou não, não há mais volta.
   Talvez o importante de tudo isso não seja focar no processo em si, mas sim em seus resultados. Abandonar os vícios e saudosismos, quem sabe até a esperança, e focar no futuro. Focar em dias melhores e anos mais leves; com invernos menos pesarosos e primaveras amenas. Pensar e re-planejar objetivos, criar novas alegrias da simplicidade.
   Enfim, que o ano novo traga sim uma vida nova. Há tempos precisamos começar a cumprir nossas promessas de recomeço.

domingo, 30 de setembro de 2012

there's a way of letting go


      De repente, do velho fez-se o novo. Jogou-se fora as roupas antigas, nada mais lhe servia. Abriu as cortinas, havia ar, sentiu-se respirar como há tempos não o fazia. Havia alegria, sons e música. Naquele antigo quarto, coberto pela poeira e abarrotado pelo tempo, entrava a luz.
    Abriu os botões da camisa e, de peito aberto, arrumou sua bagunça. Nada mais pertencia ao seu lugar anterior, sequer ela. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.


(autor desconhecido)

domingo, 29 de julho de 2012

this is the place...


   E um dia você aprende que ambas a felicidade e a tristeza não pedem licença para entrar. Não há batida na porta, pedido de por favor ou sequer um tocar de campainha.
   Já adentram se sentindo em casa, tirando o sapato e deitando no sofá com o controle na mão. E lá permanecem, bem visíveis, até que algo seja feito. Pode ser uma pequena recepção iniciada por um “olá” ou uma expulsão com gritos e pontapés, mas elas esperam. “Sempre há algo a ser feito sobre nós” conversam quando juntas, com uma a chorar e a outra a sorrir.

sábado, 7 de julho de 2012

and I'm not coming home.


   E o meu coração, cansado e ferido, descansa. Respira calmo, sem pressa de existir ou ser, cansou-se de sentir. Coleta seus pedaços espalhados aos poucos, dia após dia, pois estas coisas não se consertam rápido. Às vezes pára, senta e observa, fica horas e horas a contemplar a sua bagunça, todos aqueles pequenos pedaços espalhados pelo chão a tintilhar. É verdade, ao dia com sol brilham bastante, chegam a ofuscar a vista, e ele já quase sem luz.
   Pensa já estar cansado, talvez usado por demais, quem sabe deveria desistir. Mudar, procurar outros rumos, tomar novas formas. Afinal, já cumprira seu cargo, sempre valente e destemido, deveria de ser direito poder parar depois de tanto. Porém, então, o que resta? As cicatrizes com o tempo talvez até desapareçam, pois tudo se reconstrói e muda, e a dor... essa ou acostuma-se ou some, junto a falta e a saudade, mas no final possui o mesmo destino: deixa de ter importância até não mais se sentir nada.