domingo, 23 de março de 2008

Cantou-se a mesma musica para as borboletas do infinito, as asas amarelas arrepiavam.

Deixou-se que o cadeado comido pela ferrugem caísse ao chão, não havia mais lógica para fechaduras. Estava tudo aberto, jogado, arregaçado. Eram como papeis cortados jogados em uma bela paisagem, girando e voando até cair.
Espalhou os cacos, contou-os, observou suas cores e formas. Não havia mais como junta-los, eram apenas uma sucessão de acontecimentos, jamais poderia se dizer da onde vieram.
Desatou um a um os nós do cabelo. Despiu do casaco dor de carmin, espantando o inverno. Calou-se das banalidades protetoras, de nada mais lhe serviam. Sem o frio logo vem o calor, trazendo o abrir da primavera. Cores talvez a levassem dali.



Os lírios desabrochados pela luz derreteram-se no vento, semeou o ar com perfume e pólen.

Um comentário:

Gian disse...

É bonito o jeito que você escreve. Também gosto de dar sentimentos e movimentos para os objetos, e isso tem um nome na gramática, não tem?

Reescrevi mentalmente o meu texto. Tens razão, vou cuidar mais isso!

Obrigado, forte abraço!