quarta-feira, 13 de julho de 2011

you leave tonight or live and die this way.

Deitou a mão sobre o ombro e esperou. Uma resposta, uma respiração, qualquer coisa, mas esperou. Nada aconteceu, ou sentiu, se tornara vazia. Como o vazo quebrado que jamais voltaria a ser o mesmo, ela era a flor derramada, e jogada no chão permaneceu. Olhou em volta, nada viu, as formas antes tão conhecidas agora lhe eram estranhas, disformes, como em um sonho estranho. Acreditou estar em um pesadelo.

"E você não vai falar nada?"

"Falar o que?"

"Não sei."

Fingia desconhecer a voz, fechava os olhos para não ver, abraçou as pernas com força. Ele a tocou, leve, delicado, ela recusou. Tocar para quê? Nada mais havia ali. Tentou se explicar, para si, mas os pensamentos não acompanhavam mais. As palavras, sempre tão fáceis e queridas, saíam uma a uma pela janela, seguindo o caminho que ela tantas vezes pensou em fazer. Respirou mais uma vez, doeu um pouco e quase se alegrou com isso, sentia algo.

"Você vai, ou eu vou?"

"Tanto faz, você escolhe."

"Pára com essa porra de nunca escolher nada, por favor."

"Então eu vou."

"Por quê?"

"Preciso escolher, te explicar já está fora de questão."

Levantou e se recolheu, um a um catou os pedaços espalhados. Percebeu serem bem estúpidos assim pelo chão, desconexos, e tentou apagar em sí o valor dos cacos juntos. Apagou todas as luzes ao sair.

3 comentários:

Bianca B. disse...

"Pequena" lembra tanto amor, mas um amor só meu, platônico, direcionado. Não sou receptora, não faço jus a isso. E dói.

Esse texto tá triste demais, Juju! Mas lindo.
Saudades.

Gabriela Freitas disse...

está bem triste este escrito, mas com grandes significados por trás de cada linha, exageradamente lindo Jú.

Almi Júnior disse...

Eu pensei em dizer o que já foi dito.
Mas a tristeza sempre inspira mais. Ou não.

Primeira vez que venho.
Volto. haha