domingo, 30 de setembro de 2012

there's a way of letting go


      De repente, do velho fez-se o novo. Jogou-se fora as roupas antigas, nada mais lhe servia. Abriu as cortinas, havia ar, sentiu-se respirar como há tempos não o fazia. Havia alegria, sons e música. Naquele antigo quarto, coberto pela poeira e abarrotado pelo tempo, entrava a luz.
    Abriu os botões da camisa e, de peito aberto, arrumou sua bagunça. Nada mais pertencia ao seu lugar anterior, sequer ela. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.


(autor desconhecido)

domingo, 29 de julho de 2012

this is the place...


   E um dia você aprende que ambas a felicidade e a tristeza não pedem licença para entrar. Não há batida na porta, pedido de por favor ou sequer um tocar de campainha.
   Já adentram se sentindo em casa, tirando o sapato e deitando no sofá com o controle na mão. E lá permanecem, bem visíveis, até que algo seja feito. Pode ser uma pequena recepção iniciada por um “olá” ou uma expulsão com gritos e pontapés, mas elas esperam. “Sempre há algo a ser feito sobre nós” conversam quando juntas, com uma a chorar e a outra a sorrir.

sábado, 7 de julho de 2012

and I'm not coming home.


   E o meu coração, cansado e ferido, descansa. Respira calmo, sem pressa de existir ou ser, cansou-se de sentir. Coleta seus pedaços espalhados aos poucos, dia após dia, pois estas coisas não se consertam rápido. Às vezes pára, senta e observa, fica horas e horas a contemplar a sua bagunça, todos aqueles pequenos pedaços espalhados pelo chão a tintilhar. É verdade, ao dia com sol brilham bastante, chegam a ofuscar a vista, e ele já quase sem luz.
   Pensa já estar cansado, talvez usado por demais, quem sabe deveria desistir. Mudar, procurar outros rumos, tomar novas formas. Afinal, já cumprira seu cargo, sempre valente e destemido, deveria de ser direito poder parar depois de tanto. Porém, então, o que resta? As cicatrizes com o tempo talvez até desapareçam, pois tudo se reconstrói e muda, e a dor... essa ou acostuma-se ou some, junto a falta e a saudade, mas no final possui o mesmo destino: deixa de ter importância até não mais se sentir nada.

domingo, 17 de junho de 2012

we're alone now and i'm singing this song to you.


   E rios eu faria das minhas lágrimas se estes levassem o meu barco até o teu. Dos sorrisos passados eu escreveria cartas, das mais variadas e infinitas. Dos beijos e abraços eu traria o céu azul junto com a primavera, pois este inverno em mim já perdura por demais. Com a saudade eu percorreria o mundo, em cada canto e esquina, a sua procura. Das lembranças eu faria colchas, e cada retalho colorido seria uma alegria. Do fim, eu traria o início. E do amor... do amor eu lhe traria, com sorrisos, abraços, beijos, primaveras, verões e o fim da saudade.

domingo, 22 de abril de 2012


E pegaram na mão um do outro como quem colhe uma flor. Seguraram com delicadeza, mas firmes para terem certeza que jamais soltariam. Riram por dentro, riram muito, e mostraram um pouco por fora. Abraçaram-se mais uma vez, felizes por saberem que não era um adeus, e sim um olá eterno que se repetiria por todos os dias. Olharam, observaram, viram. Miraram um ao outro por muito tempo; os olhos, as bochechas, as curvas do rosto, cada pedaço em uma tentativa de aprender. Aprender o outro, aprender sobre si, aprender sobre o amor.

E beijaram-se, com carinho e ao mesmo tempo paixão, como se tentando expressar todo o sentimento em apenas um ato. Juntaram-se em um, no corpo, alma e amor. Juntaram-se, com a promessa de nunca soltar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

when there's a burning in your heart.

E eu que sempre me achei pequena demais para caber nesse amor nosso, por fim me perdi em sua infinitude. Não sei mais seu limite, se é que existe, então vago. Desarrumada, nua, descabelada, cansada, descalça, perdida. Eu vago, deslumbrada. Incrédula das cores e sons criados, atônita. Seria possível não ter notado antes? Não perceber seu tamanho e beleza? Será possível não verem os outros? Pergunto sem resposta, em silêncio ou gritado, não há respostas. Há eu e há você. Sim, nós. Nunca criamos nada, mas fizemos tudo. Tiramos o riso de cada lágrima compartilhada e da dor separada se fez o mel, com o qual adocicamos os momentos azedos. Desajustados, sempre, cantarolamos músicas desconhecidas até sabê-las de cor. Porque assim memorizamos um ao outro, pela repetição e curiosidade, e agora não nos resta um pedaço sequer. Meu? Teu? Nosso. É apenas uma pessoalidade perdida, vagando em direção oposta a minha, a se emaranhar cada vez mais. E eventualmente sumir.