segunda-feira, 18 de abril de 2011

hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos.


Separou a tristeza como se fosse flor. A tratou como lírios; bonita, cheirosa, e capaz de crescer em cemitérios. Regou todos os dias com suas lágrimas, e colocava um pouco de açúcar no vaso para balancear com o gosto salgado. Depois de grandes, plantou em seu jardim. Deixou que crescessem, dominassem o terreno. Pouco sobrou das antigas tilupas e rosas, outrora formando um mosaico de cores. Matou inclusive as ervas daninhas, pois a tristeza só abre espaço para si.

Pouco a pouco dominaram a casa, subindo pela parede e invadindo pelas janelas. Já aprendera a viver sem sol a danada, seu unico alimento se tornara as lágrimas. Essas, já quase secas, apenas não desapareciam pela presença de adubo, dor, cujo cheiro já impregnara em tudo. Paredes, chão, telhado e móveis já não existiam mais, corroidos e consumados tornaram-se pó. E o jardim finalmente se transformou em floresta.

terça-feira, 1 de março de 2011

just like all those pretty lights in the sky.


Se te dissesse todas as coisas que penso quando te olho seria uma infinita lista de elogios. Iriam desde como gosto dessa sua barba mal feita, do formato do seu rosto, nariz e lábios, até a alegria que bate no meu coração. Desse seu tocar de pele pela manhã ou a noite, que em tão pouco já me dá tanto prazer, ou aquela sensação de carinho quando afago suas mãos e bochechas. Diria quanto te amo por ser quem é, com qualidades e defeitos, e aquele jeito de pessoa apaixonada assustada. Gosto quando revezamos em ser sua pequena e meu pequeno, e, especialmente, quando o somos concomitantemente. De ter a sua respiração perto da minha no meio das cobertas, e sentir o seu cheiro invadindo as vias aéreas preenchendo-as com o aquele perfume delicado que conheço tão bem cada nota.

Recitaria os pequenos versos ditos apenas no olhar. Alguns bonitos, outros nem tanto, mas todos com amor. Beijaria-te ainda mais para quando me faltassem as palavras, porque sei que esse pequeno gesto cobre tantas. Daria talvez mais abraços, ou pelo menos mais apertados, para dividir o meu calor com o teu. E estaria sempre a te tocar, com movimentos quase acidentais como um encostar de mãos em uma mesa de bar ou aquele carinho que me escapa tão naturalmente pelo seu cabelo ou em qualquer outra parte do seu corpo. Ah, o seu corpo. Esse vasto templo no qual me perco em novas descobertas e sensações, e onde pouco a pouco faço de casa, ou melhor, lar.

E assim continuaria, por infinitos fonemas e linhas, até que, cansada e enrugada, me acabasse o ar, pois dizeres ainda teria muitos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

the scars of your love remind me of us


Porque a verdade é que as coisas nunca tiveram muita graça sem a sua presença. Mesmo esta sendo apenas virtual; já te aguardava todos os dias ansiosa mesmo antes de ter a coragem de adimiti-lo. E talvez por isso devesse desculpas a alguém, mas agora não cabe mais. É, desculpa. Bem, voltando ao inicio; as coisas continuam chatas sem você. Fico o dia todo jogada, desarrumada, até desajustada comigo, já que não está aqui para mudar isso. É, infelizmente agora essa responsabilidade é tua. Tua ou sua? Tanto faz, apenas te pertence. Assim como assumo como minha a de cuidar de você. Procurar furos e manchas na camisa, kriptonita e esses tipos de coisa as quais faço com tanto prazer e carinho. Além das mais sérias, como assegurar a sua felicidade, saude e sanidade mental. Essas, mais trabalhosas e delicadas, me deixam com um gosto sem igual a perdurar na boca. Como um misto de doce, salgado e azedo; formando algo tão unico e delicioso; suspeito ser gosto de ser feliz.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

we're smiling but we're close to tears


Debruçou a cabeça no parapeito, olhava o horizonte perdido procurando o seu limite. O sol já partia dando inicio a noite com suas cores alaranjadas, tudo seguindo seu próprio sentimento, repetindo o girar da vida. Estava frio, e ela lá só de calcinha, com ar de quem não se importa, talvez cantando algo triste. Passaria o resto do tempo ali se pudesse, mesmo sem saber quanto este duraria.
Ele a abraçou por trás, como um grande casaco, e deu um beijo no pescoço. Ela tremeu e encolheu um pouco, rindo.
“Chorando por que, vida?”
“Como você sabe sempre que estou chorando?”
“Acho que seria errado se não soubesse.”
“É... talvez.”
“Não muda de assunto, me responde vai. Não gosto de te ver assim.”
A virou e enxugou a lágrima do seu rosto, beijando e envolvendo toda a pele exposta. Ela desabava, sem conseguir falar, ou sequer respirar. Ele a segurava ainda mais.
“O que aconteceu? Assim eu fico preocupado, foi alguma coisa que eu fiz?”
“Não, claro que não, meu amor.” E o abraçou apertado “É saudade só.”
“Eu tava logo ali, distraído dormindo um pouco, não pode ser isso. Não mente pra mim, é ruim quando faz assim.”
“Não to mentindo, prometo que é saudade.”
“E por que não me acordou então?”
“Parecia feliz dormindo, e eu aqui toda triste. Ia estragar.”
“Claro que não, meu amor. Você nunca estraga nada.”
“Estrago sim. Te estrago por exemplo, deixando todo mimado.”
“Hahahaha. E eu faço o mesmo contigo, então é justo.”
“Pode até ser, mas ainda assim estou te estragando.”
“Claro que não, boba. Te amo.”
“Amo mais.”



Primeiro lugar desculpa por tomar a liberdade de colocar meus sentimentos nas suas palavras, espero que não se incomode. Segundo, feliz um mês de namoro. Eu te amo, e quero que todo mundo leia e saiba disso, já que é a verdade, nesse espaço coberto por tantas mentiras. E é pra sempre, tá? (primeiro. ultimo. e único.)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

primeiro. ultimo. e unico.


Se a felicidade tivesse nome, seria o teu. Teria teu cheiro, voz e gosto. Seria asmatica, para me lembrar de respirar ao teu lado. E suada, para me aquecer mesmo no frio. Faria sempre uma piada ou outra sem graça, arrancando aquele riso solto, verdadeiro de tão inesperado. E falaria sem parar, discursando com amor, transformando cada palavra em musica. Daria beijinhos, abraços, e declarações inesperadas, derrubando barreiras construidas já não se sabe mais porquê. Sofreria de saudades, ciumes e inseguranças exagerados, ignorando o tamanho do amor mutuo. E teria todas coisas que amo em ti, detalhe por detalhe, sem faltar um único traço; já que o subjuntivo de nada serve mais, uma vez que é.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

take what you want from me, it means nothing now.


E o que acontece aqui enquanto a vida corre lá fora? Enquanto os segundos batem; um, dois, tres atrás do outro. Enquanto nada para, exceto eu.
Do mundo que gira minha saia sequer roda, o amerelo do sol de lá ja desbota, o azul manchado do ceu pelas paredes descasca, as flores do jardim morreram. O tempo, que como um fugitivo corria, parou para ser preso pelas janelas fechadas.
Do assoalho de madeira nada sobrou, sequer eu ou voce. De la fomos arrancados aos pedaços, todas as marcas e arranhões se foram, do amor apenas nos sobrou o eco. O ódio? Este perdura escondido, no espaço entre as persianas, ou em nós.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Depois de um tempo pairando no ar, girando em torno do quarto, as peças começam a cair no chão. Vão aos poucos, sem pressa ou muito barulho, e nós continuamos a observar. Sentamos ali, no assoalho de madeira, e juntos começamos a montar aquele quebra-cabeça. De inicio eu lá e você cá, os dois sem muito saber o que fazer, ou falar, apenas admirando carinhosamente enquanto tudo se encaixava. Nos aproximamos, trocamos o lugar; paramos, bebemos nossos copos d’água e pegamos o ar necessário, e depois voltamos, tudo ainda como havia sido deixado. Não houve um inicio propriamente dito, cada um começou e juntou o que quis, a sua própria maneira, e no meio do caminho sabíamos que nos encontraríamos.
Apenas um esbarrar de mãos foi necessário, estávamos há tanto tão absortos na tarefa de selecionar para juntar que nos esquecemos da presença um do outro; fingirmos estarmos sozinhos ali até a casualidade nos provar o contrário. Eu derrubei suas peças e você as minhas, misturou-se tudo, e como duas crianças confusas apenas nos olhamos, com um pouco de raiva talvez, mas sem muitas ações. Dali se seguiu uma palavra, e depois outra e outra até estas inundarem o quarto junto aos risos e ao novo quebra-cabeça, desta vez mais colorido. Misturamos tudo, presente, passado e futuro, criamos sinfonias e nunca paramos de montar, sem saber exatamente onde aquilo levaria, apenas aproveitando o percurso.